quinta-feira, 24 de novembro de 2016

A troca do celular ou sobre como te perdi

Esta semana meu celular deixou de funcionar adequadamente (deu perda total ou pt como nos da ZN diriamos) entre a preocupação em levá-lo na assistência técnica autorizada e solucionar problemas com o whatsapp já que iniciaria uma semana de palestras que eu acompanharia como voluntária (e dois dias antes já fazia parte de quatro ou mais grupos da organização), e-mail, mapas e sportfy...acredito que um possivel backup foi esquecido.
Problemas resolvidos, celular novo, chip antigo, contatos recuperados, percebi que não recuperei nossas fotos, nossas conversas, seus audios....o último e confuso audio falando do novo momento, da confusão da vida e que era para eu me sentir livre para viver a vida...esse talvez eu recuperasse com a melhor amiga que me auxilou na analise criteriosa da sua fala...
...mas e os demais? E os bons dias? E os que bom que está bem? Todos esses foram. 
Junto foram as conversas que me ajudavam a rever o percurso da nossa historia e tentar entender qual ponto eu tinha perdido, em que frase o encanto se foi...e as fotos..ah, essa foi perda mais dolorida de todas...pois sua imagem ficaria agora apenas nas lembranças de um quente inverno e um colorido começo de primavera...lembranças de alguém que eu perdi....de você!
Agora, já com o novo celular, repleto de gigas, volto a ter espaço para novas fotos, novos áudios e novas mensagens... novos encantamentos...que esses venham! Te perdi para me encontrar!



segunda-feira, 21 de novembro de 2016

A fitinha do bomfim

Não era a primeira fitinha do Bonfim que ela usara na vida, seus pulsos e tornozelos já haviam levado pulseiras amarelas, azuis, violetas, algumas cairam naturalmente outras foram tiradas estrategicamentes por não combinarem com a roupa ou o vestido de festa...tiradas simplesmente por incomodarem.
Mas aquela pulseira era diferente, diferente porque fora cuidadosamente escolhida e amarrada em uma das melhores e mais bonitas viagens de ano novo, diferente porque os desejos foram mais que desejados quase em tom de suplica, diferente porque aquela pulseira cairia naturalmente, mesmo que não combinasse com o vestido de festa ou incomodasse, diferente porque naquela o pedido era de amor.
Vieram os encantamentos furtivos, pequenos dramas, encontros e dsencontros, mas o amor não chegava...a pulseira continuava lá, no pulso esguio, como que avisando que a hora não chegara...talvez não chegaria...afinal...era tão difícil gostar.
Mesmo quando ela o conheceu a pulseira continuou lá...ele era muito agitado, talvez muito magro...pra falar a verdade ela nem pensou muito nele...nem quando se beijaram...muito animado, muito atento a ela....muito seguro do que queria enquanto ela seguia sendo pura insegurança.
Foi preciso viajar pra sua última cidade, rever amigos, ir no tarô, viajar de novo pra mesma cidade  ver um dos casamentos mais lindos que já viu...que transbordava amor e resistência. De fato o pouco que tinha nos afetos cariocas estava muito longe do amor, tão longe que decidiu deixar ir embora. Lá de Brasília mesmo, desejando o bem e um caminho feliz. Fora como se voltasse sem pesos, sem nós, pronta para seguir a vida.
A fitinha do Bonfim, sua promessa de amor, já havia sido esquecida, mas fez questão de lhe recordar a existência  quando caiu prendendo na blusa ao sair apressada para o trabalho. Seria mais um dia de trabalho, janta corrida e oficina de música a noite. Quando na cerveja depois da oficina ele se aproximou, comentou sobre sua ausência, ao que ela retrucou que ele também estava sumido. Ela contou das viagens pra Brasília, do casamento das amigas, ele contou que fora pra São Paulo, que também ficou doente...quando de repente: Beijo....
E naquele dia ele não pareceu tão agitado ou magro demais...naquele dia ele foi tão ele e ela pode ser ela... já livre dos nós ela podia ser laço...e a fitinha do Bonfim trouxe o amor desejado.




segunda-feira, 23 de maio de 2016

Tudo que vai deixa....

O que fica e o que vai de um relacionamento?
O primeiro levou uma mochila de viagem, mas deixou raquetes de frescobol (compradas coletivamente) e uma bicicleta...deixou fotos, gosto por cartoons, o aprendizado de amar comida japonesa...deixou também algumas mágoas e inseguranças mas que se transformaram em empoderamento anos depois.
O segundo deixou um par de meias de rugby que nem eram dele...o fim foi tão meticulosamente planejado que fez questão de devolver o que eu havia esquecido com ele...da blusa de frio ao livro de constitucional...o amor deixado não foi devolvido, talvez porque ele nunca percebeu que esse também estava lá...como ficou nos seis mês que se seguiram. Além das meias deixadas...ele deixou algo que me fez bem...um pouquinho de autoestima que me levou a me ver de outro jeito...mais confiante no trabalho e quanto a minha aparência.
O terceiro foi tão veloz e encantador que não deixou nada além de uma viagem na praia e alguns sonhos de uma vida em outro país (já esquecidos)...
O quarto, e último trouxe delicadeza...um pouco de música e vegetarianismo...levou um pouco da minha alegria no último mês (mas essa é forte e sempre volta a me inundar)...deixou um livrinho anarquista...talvez a chave para que eu percebesse desde o começo que as expectativas criadas eram por demais coletivas e conservadoras para alguém tão livre...
Que venha o próximo e que as coisas trazidas fiquem e que nada seja levado...além das tristezas.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Sobre cortes e mudanças

Há algum tempo queria cortar meu cabelo, mas queria que a mudança estética viesse acompanhanda de um grande acontecimento na minha vida....
Passaram-se muitos meses: fevereiro, março, abril e nenhum grande acontecimento aconteceu....nāo aquele que merecesse o corte, a simbologia da mudança.
De repente percebi que houveram muitas mudanças esse ano, que se fossem colocadas no cabelo, passariam do dread ao chanel.
Este ano sai de um trabalho que gostava mas que não estava me fazendo bem (o que foi muito importante para que eu pensasse qual o valor que dou para as minhas palavras e para o que acredito...descobri que muito).
Este ano mudei de asa, mudei de casa...passei a viver sozinha e a descobrir a Renata enquanto alguém que pode viver só (apesar de não querer).. Descobri que sei me cuidar (comida, limpeza, exercicio, médico...).
Este ano lecionei para cinco turmas na universadade, conheci Taguatinga, Sobradinho e principalmente minha capacidade de explicar um conteúdo para outra pessoa e aprendi, com todas as aflições e com o nó no estomago que lecionar dá, ue gosto de lecionar.
Este ano passei a trabalhar em espaços nos quais não tinha amigos de longa data...e descobri que posso fazer novos amigos e bons companheiros de trabalho. Este ano coordenei uma revista, aprendi qual o ciclo desde a divulgação da chamada de artigos até a publicação, aprendi a ver nota CAPES para periódicos e sobre a briga qur existe por melhores notas, conheci ostermos de parceria com unversidades e relatórios blind view.
Este ano comprei uma cachorrinha, a Pagu...comprei a companhia e tenho aprendido a cuidar, a me preocupar com outro ser vivo, a conquistar seu carinho, a brigar...tenho ainda a grande lição de ser uma lider da matilha, mas essa história vale outro post.
Este ano virei consultora Unesco e tenho aprendido a organizar meu dinheiro (esta bem dificil) e a trabalhar com relatórios e novos tipos de prazos.
Esse ano fiz novos amigos, me afastei de outros...comecei a perceber o quanto também posso ficar bem sozinha e o quanto esses momentos de silêncio são importantes. Descobri e estou aprendendo a assumir minhas escolhas...e não querer tudo ao mesmo tempo...ne, a estar em todos os lugares.
Este ano comecei a aprender a tocar um novo instrumento musical (trompete) e estou aprendendo que só se aprende com treino e insistência....até descobri que tenho um bom ouvido musical (adoro essa descoberta). 
Este ano me encantei por pessoas novas e tive bons encontros e boas conversas.
Este ano passei no doutorado em planejamento urbano na UFABC, prestei no IPPUR, na UNB e na USP...ainda aguardo o resultado do IPPUR...este ano percebi que talvez tenha que sair do direito pra ser feliz.
Este ano aguardo ansiosa as definições do ano que vem e sei que...junto ou sozinha, em Brasília ou em São Paulo ou no Rio...ganhando bastante ou pouquinho....viajando muito ou ficando em casa....asmudanças  vão acontecer, porque aprendi que as mudanças não se medem por grandes acontecimentos...elas são contínuas, as vezes sutis...quase sempre internas....mas acontecem!
Este ano cortei meu cabelo....


domingo, 15 de novembro de 2015

Esperas: entre a esperança e a realidade

Muitos momentos da nossa vida são feitos de esperas. A espera pelo resultado de uma seleção ou de uma prova, a espera de uma viagem que vamos fazer ou de uma viagem que algum amigo fará...a espera do retorno de alguém que gostamos.
Com tantas esperas na vida, o tempo deveria torná-las mais fáceis, como costuma fazer com aquilo que conhecemos....o tempo torna a dor menos dolorida, o tempo torna a insegurança da apresentação menos insegura, o tempo torna os amores mais leves....mas com as esperas...ele pouco ou nada muda.
Cada nova espera vem com toda a ansiedade e euforia das primeiras esperas, renovando espectativas, traçando novos cenários que muitas vezes existem só no tempo da espera, pois quando o esperado se realiza, nem sempre ele é como queríamos ou imaginávamos.
E uma vida sem esperas? Seria a solução para aplacar a ansiedade, para evitar o turbilhão de pensamentos e de sentimentos?
Acredito que não, por mais doloridas que possam ser as esperas, elas tem sua importancia. A espera, e consequentemente o tempo - elemento implícito ao verbo esperar - são necessários ao ser humano para podermos refletir e pensar sobre as situações que vivemos. Para maturarmos...amadurecermos...oercerbemos nossas reais vontades...nossas fraquezas..nossos medos....nossos desejos...
Falando em desejos.... desejo que as esperas sejam mais serenas e que a realidade seja mais encantadora que os cenários criados durante a espera. Que venham novas esperas. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Direitos humanos e a lógica do capital: o avesso do avesso

Ontem uma amiga que trabalha com direitos humanos em uma entidade sem fins lucrativos, veio me contar o quanto estava decepcionada com o espaço onde trabalha; disse que trabalha mais de oito horas por dia e muitas vezes aos finais de semana, que não teve flexibilização no horário para suas aulas do mestrado e que ontem sua chefe lhe disse que não teria direito a ferias porque ela é uma trabalhadora autônoma.

Como ela poderia ser autônoma, isto é, trabalhador que exerce atividades sem vínculo empregatício com seus contratantes, recebendo de acordo com o serviço realizado, sem subordinação hierárquica, sem habitualidade da prestação de serviços, ou seja, o autônomo faz seu horário, se ela apenas tinha os ônus  do trabalhador autônomo, as obrigações do trabalhador com carteira assinada e nenhum direito.

Tal fato nos mostra a realidade de grande parte de entidades privadas sem fins lucrativos, organizações da sociedade civil - OSCs, núcleos de prática e outras figuras jurídicas das mais variadas que se  utilizam do discurso dos direitos humanos mas precarizam seus trabalhadores, muitas vezes repetindo a mesma lógica que dizem combater.

Observando parte destas OSCs, associações e núcleos, vemos que muitos trabalham com verbas oriundas de organizações internacionais, entidades religiosas ou mesmo órgãos estatais como a Defensoria Publica. Será que estes órgãos limitam suas verbas ao pagamento pelo trabalho sem considerar despesas trabalhistas ou será opção desses espaços maximizar o número de seus funcionários ou melhorar suas estruturas ao custo da precarização do trabalhador? 

Como discutir o trabalho informal, a informalidade na moradia ou mesmo a efetivação de direitos sociais quando ao mesmo tempo esta mitigação de direitos esta presente a sua pratica cotidiana?

Esta precarização acontece muitas vezes disfarçada de contratos de trabalho de autônomos ou celebrados com pessoas jurídicas (entidades abstratas com existência e responsabilidade jurídicas que são legalmente autorizadas). Estes trabalhadores acabam aceitando contratos de trabalho a margem dos direitos trabalhistas historicamente conquistados como férias, FGTS, INSS entre outros direitos.

O empregador, pode até alegar que se trata de um contrato realizado entre partes capazes e que há aceitação de uma das partes. Ora, aceitar ser precarizado nunca foi nem será uma opção e tal alegação é extremamente superficial e frágil, esquecendo-se de todas as relações envolvidas, da própria estrutura econômica e política da qual as "partes" fazem parte.

Vivemos em um sistema capitalista e aceitar a lógica do capital de se pagar menores valores por mais trabalho e de assim de lucrar, não são opções contratuais para nenhum trabalhador, em que pese sua escolaridade, experiência ou qualquer outro diferencial que o capacite para o trabalho.

O trabalho proletário e precarizado é um traço do mercado de trabalho do final do sec.XX e início do XXI, havendo diversas categorias sociais precarizadas como os trabalhadores tercerizados, os temporários, os estagiários, os trabalhadores por tempo parcial e muitos outros.

Tal fenômeno é discutido por diversos pensadores como Adalberto Cardoso, Ruy Braga e Giovanni Alves. Este último ao discutir "o que é precariado" o define como sendo uma camada social média do proletariado urbano precarizado, que sofrem não apenas a precarização salarial (contrato de trabalho precário e baixa remuneração salarial -  http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,salario-medio-de-quem-estudou-mais-de-12-anos-cai-8-em-uma-decada,1048533,0.htmmas também a precarização existencial (visto ser um proletariado jovem, escolarizado, mas frustrado quanto suas expectativas de ascensão profissional, sonhos e expectativas de consumo). 

De fato, quando se trabalha em um espaço que defende direitos humanos mas que precariza seu trabalho adotando as práticas liberais e a mesma lógica que diz combater (como alta produtividade, hierarquia rígida, uso de trabalhado informal, tercerizado, autônomo, etc) as expectativas  da sua própria atuação na defesa de direitos acaba frustrada.

Outra tentativa frequente de justificar a precarização são comparações mal feitas, guiadas pelo senso comum, do trabalho no Brasil e em outros países, como dizer que na China ou na Argentina a jornada é maior, ou que não existem direitos trabalhistas na China e etc. etc. etc. Ora, estamos falando dos trabalhadores brasileiros, não chineses ou argentinos, e não podemos utilizar como ponto de partida tais situações de maior vulnerabilidade e precarização. Afinal, se os trabalhadores chineses e argentinos são precarizados, unamos-nos em sua luta por direitos!

As conquistas do direitos trabalhistas e os avanços da Organização Internacional do trabalaho - OIT devem ser nosso ponto de partida, dado o papel paradigmático que ocupam. O trabalho proletário precarizado não pode ser tolerado, pois se afasta de qualquer padrão de qualidade esperado por não possuir proteção social (saúde, pensão, desemprego) nem benefícios em caso de acidentes ou doenças ocupacionais.

A busca pela garantia de direitos deve perpassar o interior das instituições sendo seu objetivo, política e missão sempre. Sejam elas públicas, privadas, com ou sem fins lucrativos. E esta deve ser sempre a opção dos espaços de "defesa de direitos", nunca falta de opção.

O discurso e a pratica devem ser unos e não podem instituições que defendem direitos humanos adotar tais praticas ao arrepio da lei e mitigar direitos. Ainda não sei sobre o que minha amiga do começo do texto fará... se permanecerá no trabalho e ficará sem férias, se buscará o Judiciário para garantir seus direitos...só sei que uma alternativa política à precarização do proletariado deve ser constituída urgentemente.


Você não merece sofrer, merece samba!!

Foi em um dia de samba, ou melhor em uma noite de samba que eles se encontraram.
Apesar de ter se visto inúmeras outras vezes, e até conversado em algumas, o encontro foi aquele dia.
O cabelo bagunçado dele e a barba mal feita não eram mais o mesmo cabelo e a mesma barba...tinha algo diferente e ela não sabia explicar
O batom vermelho e o jeito desajeitado dela também ganharam nova atenção...e a vontade de se aproximar mais dela.
Entre uma música e outra a distancia foi diminuindo e o som envolvente do samba os envolveu em um beijo (explosão)....e eles se encontraram!
As diferenças já não importaram, nem as semelhanças...só o beijo! Beijo único e um momento único de uma noite de samba.
Momento que durou uma noite inteira... talvez dure mais noites... e dias também....talvez uma vida.